TIR vs ROE ou porque nem sempre investidores e empreendedores se entendem…

handshake-440959_960_720Empreendedores e investidores seguem caminhos diferentes em termos de objectivos e riscos no desenvolvimento de um projecto. Assumir e compreender estas diferenças poupa tempo e desentendimentos numa negociação.

Espera-se do empreendedor a motivação para fazer crescer uma ideia, a resistència durante o seu desenvolvimento e a satisfação com o seu sucesso, quase como uma extensão de si próprio. Do investidor espera-se que aceite riscos e acredite no empreendedor e no seu projecto, apoiando-o com capital, contactos e conhecimento.

Parecem alinhados? Sim… mas no final de cada projecto as expectativas de ambos são diferentes. Muito diferentes.

 

Empreendedor e investidor querem projectos de sucesso, que criem valor e sejam rentáveis. Mas não medem a rentabilidade e o sucesso de igual forma.

 

Esta diferença está no centro de muitas das discussões  entre empreendedores e financiadores/capitais de risco. O empresário quer o retorno do investimento, mas mede-o pelo sucesso do projecto como um todo. O investidor quer o retorno do seu capital aplicado… o que pode ter um prazo e um ritmo bem diferente do projecto.

Ambos avaliam os seus objectivos através de diferentes indicadores. É comum o empreendedor escolher indicadores de rentabilidade para apresentar o projecto. Mas nem sempre estas medidas são as mais úteis para o financiador…. Vamos então ajudar.

Se é um empreendedor ou gestor de um projecto, quase de certeza que se tem preocupado muitas vezes em apresentar a maior Taxa Interna de Rentabilidade (TIR) possível para o seu projecto ou negócio. A TIR indica a taxa de rentabilidade hipotética de um projecto. É o resultado da cobertura integral dos cash-outs pelos cash-ins gerados pelo projecto. Uma taxa atraente, normalmente, significa que um projecto gerou cash-ins mais depressa e cobriu os seus custos de investimento. É a métrica preferida dos promotores de um projecto. Mas atenção! Esta métrica, apesar de importante, não diz ao potencial financiador quando é que recebe o seu dinheiro de volta! Isso depende de decisões de gestão, de uma correcta política de dividendos e de um plano de saída bem preparado.

Financiadores e capitais de risco usam frequentemente outras medidas, relacionadas com o custo de aquisição por cliente, taxas de retenção, retornos ao longo do ciclo de vida do projecto… mas no final o que interessa mais do que tudo é o Return on Equity (ROE) na optica do investidor, a medida de retorno dos capitais próprios aplicados num projecto, ilustrando a forma como esses capitais são remunerados. Na perspectiva do investidor esta é uma medida de avaliar como e quando recebem o seu dinheiro de volta. E isto é determinante para que o investidor considere o projecto interessante (independentemente da TIR do projecto).

Porque é que interesses diferentes geram confusão à mesa de negociações? Porque o empresário/empreendedor mede o sucesso pelo valor criado pelo projecto e pela capacidade do mesmo se sustentar (e a si próprio como gestor, por exemplo). Mas o investidor quer o seu dinheiro de volta. E um projecto pode ser muito rentável, mas mesmo assim não assegurar ao investidor que este tem o seu capital e rendimento de volta em tempo útil ou com a rentabilidade esperada.

Todos os empresários e empreendedores devem ter isto em consideração quando negoceiam capitais de risco. E isto implica planear a forma como a empresa/projecto vão pagar o capital aplicado por investidores, o plano de saída desses mesmo investidores e o plano de dividendos ao longo da vida do projecto. Afinal, quem é que quer investir num projecto, por muito rentável que pareça, que depois não distribui resultados nem garante ao uma saída interessante?

Por isso lembre-se de apresentar, nos seus planos de negócio, não só a rentabilidade do projecto (TIR), mas também outras métricas standard na óptica do capital de risco e úteis para medir a rentabilidade para o investidor (ROE) na óptica deste… vai poupar tempo, mostrar melhor preparação e evitar muitas conversas desagradáveis pelo meio.

 

Bons negócios

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