O fim do mercado de trabalho como o conhecemos

Abstract Businessman Drowning.

O desenvolvimento tecnológico sempre desencadeou alterações dramáticas no mercado de trabalho e de como as sociedades encontram forma de sustento. A Revolução Industrial, iniciada no século XIX, fez com que formas de sobrevivência, baseadas em agricultura de subsistência, se adequassem às novas exigências das recém-descobertas máquinas: nasceu o trabalho especializado, o êxodo para as cidades e uma altura de grandes dificuldades para a maioria dos trabalhadores na altura de transição, que viram os métodos estabelecidos de trabalho serem completamente alterados por um novo sistema.

Hoje assiste-se à grande revolução tecnológica. Num mundo povoado de iPhones e internet, o mundo do trabalho está a sofrer alterações que já não assistia há mais de 200 anos: mais trabalho é feito com menos pessoas, e para mais pessoas a certeza de um rendimento estável desvaneceu-se. Numa era em que os computadores e as máquinas substituíram a maior parte do trabalho humano, o valor da hora laboral estagnou e tem vindo a diminuir exponencialmente ao longo da última década.

Durante os próximos anos esta tendência irá agravar-se, a nível global. Mais trabalhadores verão os seu posto de trabalho ameaçado: apesar da tecnologia apoiar muitas profissões mais especializadas, muitas outras passarão a ser redundantes e desnecessárias. Hoje, as empresas e as marcas mais valiosas do mundo conseguem atingir valores em bolsa com métodos produtivos que precisam de uma fracção do número de trabalhadores antes essenciais, até há bem poucos anos. E isto assiste-se mesmo nas economias emergentes. Graças à globalização, as empresas de países em rápido desenvolvimento, como a China, conseguem robotizar grande parte da produção sem necessitar de muita mão-de-obra – o desenvolvimento acontece, mas não existe uma redistribuição da riqueza recém-adquirida.

Esta era de desenvolvimento tecnológico, apesar disto, está longe de ser prejudicial. A revolução digital transformou a vida de milhões de pessoas para o melhor. O acesso à comunicação, conhecimento e entretenimento que hoje é permitido de forma quase gratuita há uns anos atrás estava fora do alcance das bolsas da vasta maioria das pessoas. Ninguém quer regressar a um mundo sem iPhones e sem internet, mesmo em troca da garantia de um emprego ou de um aumento de rendimento. E a internet, em certas plataformas como o Ebay, o Etsy ou o mais recente e controverso Uber, democratizou em grande parte a forma como muitas pessoas podem ganhar a vida.

Mas a discrepância entre aqueles que conseguem arranjar uma ocupação e os que foram substituídos pela tecnologia aumenta a cada dia que passa. E também o descontentamento geral, as manifestações, as demonstrações de xenofobia.

Legislação mais forte pouco pode fazer. Aumentar o ordenado mínimo não vai fazer com que as pessoas ganhem mais dinheiro – será mais simples e mais barato arranjar uma máquina. Vejam as portagens, ou as linhas de self-payment dos supermercados. Mais impostos irão afundar os esforços de desenvolvimento e de criação de novas empresas e possíveis novos postos de trabalho. Dinamizar a educação, investimento em transportes, liberalizar o mercado de trabalho – isso poderia sim movimentar a economia. Os governos podem mitigar o problema, mas não o podem fazer desaparecer. O número de postos de trabalho vai continuar a diminuir e os ordenados e o valor da hora de trabalho vão continuar a decrescer.

No século XIX, os governos passaram os anos a investir na educação, educação que permitisse aos trabalhadores beneficiar da revolução industrial. A revolução digital exige uma resposta semelhante, ousada, mas necessariamente mais urgente, em The Economist.

 

Cristina Dias
Business Development @ Selmax

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