Como serão as cidades amanhã?

Como serão as cidades amanhã?

Em 2050 70% da população mundial viverá nas cidades, avançam as previsões. Como é que estes mega-aglomerados urbanos irão acomodar tantas pessoas? Certamente a cidade do futuro próximo será diferente das cidades que vemos hoje em dia. Ao longo deste crescimento vários profissionais terão de trabalhar em conjunto para permitir esta evolução urbana.

Para as cidades permitirem uma vida com qualidade para este aumento populacional será necessário coordenar vários factores: alojamento, transportes, fornecimento de energia e alimentos, comércio… As coisas vão mudar e algumas alterações podem-se já adivinhar.
  • os recursos, sendo escassos, passarão a ser compartilhados pelos utentes. Como já se vê em serviços de partilha de apartamentos de férias (Airbnb), de automóvel (Uber) e de escritórios (sistemas de cowork), as pessoas compreenderão a possibilidade da utilização conjunta de recursos. Assiste-se a uma economia de partilha: as pessoas vão passar a adquirir menos e a partilhar mais, por preços mais competitivos, os activos que já têm.
  • novas formas de consumo: os supermercados como os conhecemos hoje em dia terão tendência a desaparecer. As compras online passarão a ser mais comuns e, por outro lado, os apartamentos e os equipamentos domésticos passarão a ser cada vez mais inteligentes. Será possível em breve uma interligação entre os equipamentos e as lojas distribuidoras, em que o comprador nem a encomenda terá de fazer – apenas abrir a porta de casa.
  • o acesso à saúde será comercializado. Aliás: já se começam a ver clínicas em centros comerciais, abertas 24 horas. O hospital e o centro de saúde, com filas intermináveis, terá como concorrentes espaços desenhados para fornecer serviços de saúde de forma mais agradável e direccionada. Os custos serão um dos factores que, fazendo hoje a diferença entre uma oferta e outra, ficarão esbatidos em pouco tempo.
  • os acessos à cidade terão de ser revistos. Engarrafamentos, estradas com degradação mais rápida, aumento do número de automóveis e transportes públicos insuficientes: são situações já bastante actuais que se tornam incomportáveis com o aumento das cidades. Mais uma vez, tudo aponta que serão os próprios habitantes a descobrirem novas soluções: partilha de automóveis, veículos de duas rodas inteligentes, veículos mais pequenos. Por necessidade já actual, será esta a área onde se verificarão as mudanças mais rápidas.
  • os recursos serão cada vez mais escassos, numa utilização cada vez mais reduzida de espaço. Aí, a interligação e comunicação automática via internet será a solução: interligação entre sistemas de energia, optimização de tratamento de resíduos, controle de emissão de gases poluentes: ao ter acesso imediato a informação será possível articular sistema inteligentes de gestão que farão uma utilização optimizada destes recursos, permitindo uma vida urbana com mais qualidade.
A vida nas cidades terá forçosamente de mudar. O modelo actual já apresenta problemas suficientes para as populações que vivem hoje nas cidades. O aumento populacional obrigará que estas mudanças aconteçam imperativamente. Muitas das ideias que antes se viam nos filmes de ficção científica já são possíveis. Mas enquanto são vistas agora como um luxo ou uma “brincadeira engraçada” de quem trabalha com a internet das coisas, em breve passarão a ser vistas como uma necessidade e uma parte intrínseca da vida de todos nós: Estado, empresas, cidadãos.
Cristina Dias
Business Development @ Selmax

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