A Internet e a Democratização da Economia

The Zero Marginal Cost Society“Se lhe dissesse há 25 anos atrás que, no espaço de um quarto de século, um terço da Humanidade iria comunicar entre si através de uma rede global imensa de centenas de milhões de utilizadores – audio, videos e textos – e que o conhecimento combinado de todo o mundo iria estar acessível através de um telemóvel, que qualquer indivíduo poderia passar uma ideia a um bilião de pessoas simultaneamente, e que o custo de o fazer seria praticamente zero – você não iria acreditar.

E tudo isso é agora realidade”.

Em “The Zero Marginal Cost Society”, o best seller do New York Times do autor Jeremy Rifkin (ainda não traduzido para português) descreve como o fenómeno Internet of Things está a empurrar rapidamente a sociedade para uma era de produtos e serviços quase gratuitos, precipitando a economia global para uma nova era: o chamado Collaborative Comsumption, o consumo colaborativo, a economia de partilha.

E a consequente morte do capitalismo.

Claro que ninguém tem certezas sobre teorias apocalípticas como as que o livro descreve. Até porque os governos e os grandes gigantes económicos estão atentos e pretendem lucrar com esta nova forma de usufruto de recursos. Até os grandes que nasceram com a Internet e com esta gratuitidade de comunicações, como o Facebook e o Google, tentam lucrar com a quantidade de informação à sua disposição (a tal Big Data) e efectuam parcerias bastante lucrativas com grandes agentes económicos.

Por exemplo: até que ponto é que os dados sobre as suas pesquisas sobre doenças no Google não irão parar às mãos da sua seguradora?

Por mais assustador que este controle de informações pessoais possa parecer existe o reverso da medalha. A internet permite que um indivíduo contacte qualquer pessoa e utilize vários recursos para baixar os custos transaccionais de cada produto e/ou serviço. Como o tão recente caso da Uber e a polémica que despertou em Portugal perante a revolta dos taxistas.

A tal chamada economia de partilha é um facto actual.

Existe um braço de ferro entre os grandes agentes económicos e os indivíduos que tentam criar uma economia paralela, todos debaixo do suposto controle dos governos. Enquanto as empresas tentam baixar os custos e aumentar os preços para ter o máximo lucro, os indivíduos encontram na troca de produtos e serviços ou na venda por valores residuais uma nova forma de subsistência que está a abanar as bases do capitalismo.

O choque entre estas duas forças irá definir a imagem económica do início do século XXI: os monopólios contra a democratização da economia. Qual deles prevalecerá?

 

Cristina Dias

Business Development @ Selmax

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